Voltar ao blog

Blog

Os limites de Deus: uma prisão ou a verdadeira liberdade?

Pascal Schemberger

Um homem à beira de um precipício ao pôr do sol, ao lado de uma placa em francês que avisa para não ultrapassar o limite.

E se a verdadeira liberdade não fosse viver sem limites, mas viver sem correntes?

Hoje, o mundo nos faz acreditar que ser livre é poder fazer o que quisermos, quando quisermos, sem que ninguém nos imponha limites.

Mas será que isso é realmente liberdade?

Imagine um precipício…

Você está caminhando por uma trilha e chega à beira de um enorme precipício.

Nada impede você de continuar andando. Você é livre para ultrapassar a borda. Mas um único passo a mais pode custar sua vida.

Esse limite tira sua liberdade? Ou está ali para proteger você?

É assim que hoje compreendo os limites que Deus nos dá na Bíblia.

Deus não nos dá limites para nos aprisionar, mas para nos proteger.

Ele conhece as consequências de certos caminhos, mesmo quando ainda não conseguimos enxergá-las.

Eu pensava que era livre, mas estava aprisionado

Não estou falando apenas de teoria. Eu vivi isso.

Durante uma parte da minha vida, ultrapassei muitos limites. Pensava que era livre para seguir minhas vontades, fazer minhas próprias escolhas e buscar certos prazeres.

Mas eu era realmente livre?

Não. Pelo contrário, estava aprisionado.

O que havia começado como uma vontade ou um prazer tinha se tornado, aos poucos, uma obrigação.

Eu já não fazia certas coisas porque realmente queria, mas porque sentia a necessidade de fazê-las.

A Bíblia descreve essa falsa liberdade:

“Eles lhes prometem liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção.” — 2 Pedro 2:19

E Paulo nos apresenta um princípio essencial:

“Tudo me é permitido, mas nem tudo é útil; tudo me é permitido, mas não me deixarei escravizar por coisa alguma.” — 1 Coríntios 6:12

Se já não consigo dizer não a alguma coisa, ainda sou realmente livre?

Um prazer que acaba se tornando uma prisão

Ainda podia haver prazer em alguns dos meus comportamentos. Mas esse prazer durava apenas um instante.

O que eu vivia antes e depois era muito diferente.

Antes, havia aquela pressão interior, aquela vontade insistente, aquela necessidade de repetir.

Durante, alguns instantes de satisfação.

Depois, a culpa, o mal-estar e a sensação profunda de que algo não estava certo.

Então tudo recomeçava.

O prazer era breve, mas o peso que eu carregava era muito maior.

Às vezes eu queria parar, mas acabava recomeçando.

O apóstolo Paulo descreve esse conflito interior em Romanos 7:15:

“Não faço o que quero, e faço o que odeio.”

Esse era o paradoxo: eu acreditava que podia fazer o que quisesse, quando, na verdade, certas coisas tinham assumido o controle da minha vida.

O dia em que Jesus me libertou

Então Deus transformou minha vida.

Ele me libertou das minhas dependências.

E o mais extraordinário para mim não foi simplesmente ter parado com certos comportamentos.

Foi não sentir mais a necessidade de praticá-los.

Aquela pressão interior havia desaparecido. As coisas que antes ocupavam tanto espaço na minha vida já não me dominavam.

O que me parecia difícil, ou até impossível, havia se tornado natural.

Eu já não precisava dessas coisas para me sentir bem.

Foi então que descobri a verdadeira liberdade.

Jesus diz:

“Se, pois, o Filho libertar vocês, vocês serão verdadeiramente livres.” — João 8:36

Hoje, entendo essas palavras de outra maneira, porque as vivi.

Não era simplesmente uma questão de força de vontade ou disciplina.

Foi Jesus quem me libertou.

Os limites de Deus nos conduzem à liberdade

Quando Deus me libertou, senti como se estivesse reencontrando a pessoa que eu deveria ser, antes que certos hábitos e dependências ocupassem tanto espaço na minha vida.

Não me tornei perfeito. Ainda tenho fraquezas e muito a aprender. Deus continua trabalhando em mim.

Mas já não sou o homem que era antes.

Hoje, já não vejo os ensinamentos de Deus como proibições destinadas a me privar da vida.

Eu os vejo como uma direção que me protege e me ajuda a viver livremente.

A Bíblia fala até mesmo da “lei perfeita, a lei da liberdade” em Tiago 1:25.

É algo que eu nunca teria compreendido da mesma maneira antes.

E se tivéssemos entendido mal a liberdade?

O mundo muitas vezes nos incentiva a ultrapassar os limites para nos sentirmos livres.

Mas minha experiência me ensinou o contrário.

Quis ultrapassar esses limites e me tornei prisioneiro das minhas próprias escolhas.

Então Jesus me libertou.

A verdadeira liberdade não é poder fazer tudo. É não ser mais escravo daquilo que fazemos.

Os limites de Deus não estão aí para nos impedir de viver. Eles nos mostram o caminho para a vida.

E, acima de tudo, Jesus não nos pede simplesmente que respeitemos limites. Ele quer transformar nosso coração e nos libertar daquilo que nos domina.

Hoje, sou livre. Não porque posso fazer tudo o que quero, mas porque Jesus me libertou daquilo que me mantinha aprisionado.

E eu não trocaria essa liberdade por nada neste mundo.